domingo, 4 de março de 2012

Uma desmistificação da ideia do nordestino

Quando se fala em Nordeste a primeira impressão que se tem é de seca e miséria. Entretanto, isso não corresponde ao retrato do Nordeste hoje, pois essa região, apesar de ter sofrido e ainda vir sofrendo pelos efeitos da seca, possui também muitos destaques, que vão desde belezas naturais à sua arte singular, bem como uma história de superação do povo nordestino.
Desde meados do século passado, muitas pessoas saíam do Nordeste em busca de melhores condições de vida e oportunidades de trabalho, principalmente, nas regiões Sul e Sudeste, conhecidas pela sua riqueza e pelo seu desenvolvimento industrial. Tanto os que ficavam em sua terra natal quanto os que faziam parte desse processo migratório sofriam as consequências de um sistema desumano. Os primeiros viam sua lavoura secar, seus animais morrerem e seus filhos passarem fome, por vezes, até a morte, como foi retratado na literatura e na música. Quanto a esses últimos, embora alguns tenham conseguido certa ascensão social, a maioria precisava se submeter a relações de trabalho degradantes, trocando sua mão-de-obra, muitas vezes, apenas por um prato de comida, sendo que muitos se transformaram na população marginalizada das grandes cidades.
Dentre os autores que retratam a realidade acima citada, estão: Luiz Gonzaga, com sua música; Ariano Suassuna, que entre suas obras principais está a peça teatral o “auto da compadecida”; Graciliano Ramos, autor de “Vidas Secas” e Patativa do Assaré, um poeta popular, compositor e cantor cearense; além da literatura de cordel. Tanto na arte como nas obras literárias, encontram-se discussões sobre as dificuldades, a astúcia e a história de superação do povo nordestino, como também sobre a politicagem, tão forte nessa região.
Os políticos, especialmente no contexto nordestino, há muito tempo, vêm se aproveitando da falta de instrução e da situação de miséria das pessoas para permanecerem no poder. Assim, desde o coronelismo, que os mesmos oferecem “pequenos favores” em troca do voto das pessoas, que, por não terem acesso à educação acreditam/acreditavam na boa intenção desse tipo de candidato aos cargos públicos, os quais, quando estão no poder, acabam se apropriando das verbas que deveriam ser destinadas à melhoria da condição de vida das pessoas. Essa situação alimentou um ciclo vicioso, onde a miséria, a falta de educação e a perpetuação de políticos corruptos no poder estão/estavam estreitamente ligadas.
Por outro lado, é em meio às adversidades sociais, econômicas e ambientais que se pode constatar a resistência e a astúcia do povo nordestino, que conseguia sobreviver em meio a tantas situações difíceis, utilizando-se apenas da sua força de trabalho e da criatividade, sem perder a fé e a esperança, que são retratadas na sua arte alegre, além de ter contribuído com sua mão-de-obra para a construção e desenvolvimento de grandes cidades brasileiras.
Hoje, dada a execução de políticas públicas e sociais, o Nordeste vem se desenvolvendo social e economicamente e não representa mais o retrato da fome e da miséria, embora ainda tenha muitos problemas sociais, como ocorre em todo o país e não apenas nesta região. Os efeitos da seca estão sendo amenizados com a construção de obras públicas, como reservatórios e adutores, e com os programas sociais do governo, que possui seus lados positivos e negativos. Além disso, essa terra possui muitas belezas naturais, que atraem investimento e turismo, a exemplo de suas praias e do seu Sertão árido, que também tem seu valor e sua beleza.
Um dos principais aspectos que vem contribuindo para a melhoria da condição de vida do nordestino é o acesso à educação, retratado pela expressiva queda do analfabetismo antes tão presente. A educação é a principal expressão de melhoria, pois junto com ela vem a consciência política, a pesquisa e a qualificação profissional nos mais diversos setores. Atualmente, o nordestino não precisa mais sair de sua terra para sobreviver, pois essa lhe oferece as condições necessárias.
Logo, é preciso desmistificar essa ideia de Nordeste/nordestino como sinônimo de atraso. O nordestino é, sim, demonstração de fortaleza, superação, alegria e fé. E que fique bem claro: o Nordeste não é o Deserto do Saara, nem a “África Brasileira”. Aqui ainda existem pobreza e desigualdade social, como em todas as regiões do país, mas tanto nas capitais quanto no interior, as casas são de alvenaria, tem fábricas, comércio, bancos, Shopping Center, hotelaria, universidades, pessoas pensantes, transportes, eletrodomésticos, computadores, internet, telefonia, perspectivas de continuar se desenvolvendo e muitas outras coisas, ao contrário do que muitos desinformados acreditam.
Ass.: Sophia Eçara

3 comentários:

  1. Vocês tem alguma peça que se poça fazer para o centenário de Luiz Gonzaga... é urgentíssimo... me ajude. Desde já agradeço.

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    1. É mesmo também estou fazendo um trabalho com esse tema. Ajuda agente ai!

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    2. Moço isso é de mais. Estou aqui com a mesma procura. Da um jeito de achar pra nós. Tem que ser muito interessante, que se possa dar um show. Uma peça teatral não esqueça. Please!!!

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