O que é ser um nordestino?
Na verdade deveríamos
perguntar pela invenção do nordestino ou dos nordestinos, pois o termo nordeste
só surgiu no Brasil a partir de 1910, porque até então, o país era
dividido entre norte e sul, o termo nordeste passou a servir para designar uma
região de ocorrência de secas numa parte da região norte. Essa parte
da região que passou a ser chamada de nordeste tinha como características: uma
agricultura primitiva baseada em queimadas, o que arrasou as florestas,
surgindo os desertos, as erosões e o ciclo das secas, o tipo humano que ali
habitava era fruto da mistura da genética do índio, do branco europeu e do
negro africano, surgindo um povo mestiço.
Assim foi
se inventando aquilo que chamamos de nordestino, para essa criação foi
fundamental a contribuição de grandes e renomados escritores e
suas obras literárias como: Graciliano Ramos (Vidas Secas), João Cabral de Melo
(Morte e Vida Severina), Ariano Suassuna (Auto da Compadecida)
e Euclides da Cunha (Os Sertões). O nordestino na visão desses autores é retratado
como um sertanejo, um jagunço, a sub-raça, o herói determinista que resiste a
tragédia de seu destino, disfarçando de resignação o desespero diante da
fatalidade, o Hércules-quasimodo, como disse Euclides da Cunha:
"O sertanejo é, antes de tudo, um forte."; resiste bravamente a
condições de um ambiente inóspito e hostil, para isso vive como nômade, se
retirando para lugares menos degradados na própria região ou migrando para o
sul do país.
Desse modo foi que se
criou no imaginário brasileiro a figura desse personagem, o nordestino. Homem
rude, analfabeto, feio, miserável, mas forte e corajoso.
Graças a esses
aspectos, econômicos, sociais, culturais, a elite da região e os políticos
usaram e abusaram para tirar proveito da situação, incluindo em seus discursos
esses argumentos em busca de recursos e cargos públicos, criando a indústria da
seca e se mantendo por décadas no poder, em troca de poucas migalhas e favores
em época de eleições, os conhecidos currais eleitorais do tempo do coronelismo.
A cerca dos dez últimos anos, porém, o
Brasil e principalmente o nordeste vem sendo reinventado, pois, a narrativa
regionalista nordestina não mais se sustenta diante de todas as mudanças que
ocorrem na realidade regional, ela se esgarçou, perdeu legitimidade, perdeu
sustentação, essa imagem regionalista só interessa as elites regionais e
brasileiras, para carrear recursos e dádivas. Eis que surge um novo nordeste,
um novo nordestino: alfabetizado, com curso técnico de informática, entre
outros, estudando em escola federal de primeiro mundo, bem nutrido, morando em
casas do “minha casa minha vida”, vivendo em pleno emprego, fazendo faculdade
federal e particular com ajuda do ProUni e do FIES, sabendo que poderá
trabalhar e morar em sua terra, pois há vagas em várias áreas, como: refinaria
de petróleo em Pernambuco e Ceará, construção civil, transposição do São
Francisco, estádios da copa, fábricas de carros na Bahia, de chocolate, produção de uva, mamão, manga,
melão, até maçã no vale do São Francisco e do Piranhas-Açu. Um verdadeiro
milagre econômico e cultural que vive o Brasil e o Nordeste.
Por: JoanaD'Arc

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