Ao longo da
História da formação do Nordeste brasileiro, muitas ideias foram criadas para
justificar diferentes formas de violência cometidas contra a população
pertencentes a essa região. Entre tantas, formou-se a ideia de gente ingênua,
incapaz de pensar, porém forte e corajosa para suportar as adversidades da
vida, na maior parte provocadas pela arbitrariedade política dos governantes. E
então, como consequência forjou-se o “ser nordestino” como sinônimo de gente
menor.
É
verdade que a violência que gerou a pobreza, que gerou analfabetismo e a
cegueira politica, que gerou o conformismo e o desprezo pelo saber, levou
grande parte a circunstâncias desumanas de vida. Mas é verdade também que essas
mesmas circunstâncias adversas acabaram por gerar, embora muito lentamente e em
poucas pessoas, desconforto e rebeldia, uma certa vontade de olhar-se a si
mesmas e suas realidades.
E
hoje, como não poderia ser diferente “ser nordestino” não é tão diferente de “ser
brasileiro”, visto que os grandes problemas citados acima estão arraigados por
todo o país, embora mais acentuadamente no nordeste, também quanto às coisas
boas como o progresso das ciências e das tecnologias e, muito devagarinho da
educação, estamos nos tornando nordestinos com cara de “geral”. E, dessa forma,
desconstruindo aos poucos o rótulo de ingênuos e de gente de pensamento lento e
construindo ao mesmo tempo, identidade. Uma gente que em busca de humanização
se abre às possibilidades, tentando vencer a pobreza em todos os seus aspectos,
adquirindo uma postura politica de enfrentamento e protagonismo social, embora
ainda frágil e procurando os recursos que ajudam nessas descobertas como a
literatura, por exemplo, alicerçada em grandes mestres nordestinos como Graciliano
Ramos, Raquel de Queiroz, João Cabral de Melo Neto, Jorge Amado e tantos
artistas da palavra que deram expressão às realidades nordestinas e nos levam a
compreende-las, a imaginar, a criar, a querer “ser” em sentido pleno, o que a
gente é: humano, habitantes de uma mesma Terra, ávido por vida boa e
NORDESTINO. Mas isso é questão menor.
por: Valentina
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