domingo, 4 de março de 2012

O “ser” nordestino



Ao longo da História da formação do Nordeste brasileiro, muitas ideias foram criadas para justificar diferentes formas de violência cometidas contra a população pertencentes a essa região. Entre tantas, formou-se a ideia de gente ingênua, incapaz de pensar, porém forte e corajosa para suportar as adversidades da vida, na maior parte provocadas pela arbitrariedade política dos governantes. E então, como consequência forjou-se o “ser nordestino” como sinônimo de gente menor.
                É verdade que a violência que gerou a pobreza, que gerou analfabetismo e a cegueira politica, que gerou o conformismo e o desprezo pelo saber, levou grande parte a circunstâncias desumanas de vida. Mas é verdade também que essas mesmas circunstâncias adversas acabaram por gerar, embora muito lentamente e em poucas pessoas, desconforto e rebeldia, uma certa vontade de olhar-se a si mesmas e suas realidades.
                E hoje, como não poderia ser diferente “ser nordestino” não é tão diferente de “ser brasileiro”, visto que os grandes problemas citados acima estão arraigados por todo o país, embora mais acentuadamente no nordeste, também quanto às coisas boas como o progresso das ciências e das tecnologias e, muito devagarinho da educação, estamos nos tornando nordestinos com cara de “geral”. E, dessa forma, desconstruindo aos poucos o rótulo de ingênuos e de gente de pensamento lento e construindo ao mesmo tempo, identidade. Uma gente que em busca de humanização se abre às possibilidades, tentando vencer a pobreza em todos os seus aspectos, adquirindo uma postura politica de enfrentamento e protagonismo social, embora ainda frágil e procurando os recursos que ajudam nessas descobertas como a literatura, por exemplo, alicerçada em grandes mestres nordestinos como Graciliano Ramos, Raquel de Queiroz, João Cabral de Melo Neto, Jorge Amado e tantos artistas da palavra que deram expressão às realidades nordestinas e nos levam a compreende-las, a imaginar, a criar, a querer “ser” em sentido pleno, o que a gente é: humano, habitantes de uma mesma Terra, ávido por vida boa e NORDESTINO. Mas isso é questão menor.

por: Valentina

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