Ser
nordestino nos dias de hoje não é uma tarefa fácil. Estamos sempre cercados por
discriminação e preconceito vindos de qualquer parte, seja de outras regiões ou
até mesmo daqui. O nordeste não é tão valorizado em suas belezas naturais,
culturais, históricas. Infelizmente, os seus estereótipos se sobressaem e o ser
nordestino vai perdendo sua identidade.
O
nordeste é sempre representado como a região da seca, da miséria, da ignorância,
da violência, da fome e da injustiça social. E essa representação está nos
livros, nos filmes, na televisão. Desde a década de 30, com o regionalismo, a
imagem do nordeste seco e miserável é disseminada. Em alguns romances regionalistas,
há a coisificação do homem e a humanização dos animais. Os animais possuem
sentimentos, agem de forma racional, e os homens consideram-se animais, por
causa de sua vida miserável. Exemplos disso são as obras Vidas Secas e São Bernardo
de Graciliano Ramos e O Burrinho Pedrês
de Guimarães Rosa.
Outro
aspecto negativo que é disseminado é a submissão do nordeste à região sudeste desenvolvida, como se todos nordestinos fossem miseráveis e necessitados de
ajuda. E por que há essa contraposição de regiões? Existe um jogo de interesse
que desencadeia isso. Para uma se destacar, e se desenvolver, outra precisa
estar oposta. No sistema capitalista em que vivemos não existem relações
simbióticas, pelo contrário, alguém tem que perder para outro ganhar. E isso na
política é visto claramente. Para os que estão no poder é muito interessante
ter alguém que esteja sempre subordinado a seus favores.
O
nordeste é uma das regiões mais ricas e diversificadas culturalmente,
destacando-se em várias áreas, como: na culinária, música, literatura, festas típicas, porém, ainda não há uma maior valorização. Nós nordestinos precisamos
conhecer nossa região, porque o preconceito, muitas vezes, é originado dos
próprios habitantes. Nós precisamos tirar esses estereótipos negativos que
impuseram ao nordeste, e assim constituirmos nossa verdadeira identidade nordestina.
Ass:
Julieta
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