domingo, 4 de março de 2012

O valor do nordestino


Ser nordestino nos dias de hoje não é uma tarefa fácil. Estamos sempre cercados por discriminação e preconceito vindos de qualquer parte, seja de outras regiões ou até mesmo daqui. O nordeste não é tão valorizado em suas belezas naturais, culturais, históricas. Infelizmente, os seus estereótipos se sobressaem e o ser nordestino vai perdendo sua identidade.
O nordeste é sempre representado como a região da seca, da miséria, da ignorância, da violência, da fome e da injustiça social. E essa representação está nos livros, nos filmes, na televisão. Desde a década de 30, com o regionalismo, a imagem do nordeste seco e miserável é disseminada. Em alguns romances regionalistas, há a coisificação do homem e a humanização dos animais. Os animais possuem sentimentos, agem de forma racional, e os homens consideram-se animais, por causa de sua vida miserável. Exemplos disso são as obras Vidas Secas e São Bernardo de Graciliano Ramos e O Burrinho Pedrês de Guimarães Rosa.
Outro aspecto negativo que é disseminado é a submissão do nordeste à região sudeste desenvolvida, como se todos nordestinos fossem miseráveis e necessitados de ajuda. E por que há essa contraposição de regiões? Existe um jogo de interesse que desencadeia isso. Para uma se destacar, e se desenvolver, outra precisa estar oposta. No sistema capitalista em que vivemos não existem relações simbióticas, pelo contrário, alguém tem que perder para outro ganhar. E isso na política é visto claramente. Para os que estão no poder é muito interessante ter alguém que esteja sempre subordinado a seus favores.
O nordeste é uma das regiões mais ricas e diversificadas culturalmente, destacando-se em várias áreas, como: na culinária, música, literatura, festas típicas, porém, ainda não há uma maior valorização. Nós nordestinos precisamos conhecer nossa região, porque o preconceito, muitas vezes, é originado dos próprios habitantes. Nós precisamos tirar esses estereótipos negativos que impuseram ao nordeste, e assim constituirmos nossa verdadeira identidade nordestina.

Ass: Julieta

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