domingo, 29 de janeiro de 2012

Viva de Verdade

Em muitos a sensação de que a vida lhe escorrega pelos dedos não é estranha. Para alguns, isso é um sentimento constante. Sobretudo naqueles momentos que nos fazem refletir sobre como está a nossa vida - aniversário, fim de ano etc. às vezes, essa sensação é tão dolorosa, tão forte como o mais corrosivo dos ácidos, que esses momentos de reflexão são evitados porque sempre são horas tristes. Desconfio seriamente que são as próprias pessoas que estão jogando a vida fora.
Claro que não se pode falar tal coisa sem apresentar argumentos sólidos, caso contrário essa afirmação torna-se apenas mais uma daquelas fúteis acusações que não ajudam em nada. Entretanto, percebo alguns fatos em meu cotidiano que não posso deixar de relatar.
Conheço pessoas que têm um fascinação tremenda por futebol. Sabem de tudo o que acontece no "mundo da bola". Passam horas assistindo a todos os jogos, procurando novidades e curiosidades a respeito. Também conheço outro tipo de pessoas que não largam os "games", levam sua existência em função destes. Ambos têm em comum o fato de que criaram realidades paralelas para nelas viverem. É o seu ópio. Ópio porque as pessoas que se prestam a este tipo de vida são infelizes com a própria, e criam outros mundos para neles viver: "o mundo do futebol", "o mundo dos games", dentre tantos outros. Pessoas desse jeito só falam disso, já perceberam? E o problema não está restringido ao futebol ou aos games.
Vemos isso com pessoas que vivem por seu trabalho, seus estudos, suas atividades religiosas e muitas outras. Devo dizer que o problema não está no futebol, nos "games", no trabalho, no estudo, nas atividades religiosas ou em qualquer outra coisa. O problema está no fato de as pessoas usarem isto como refúgio emocional para suas frustrações de modo a se afastarem do mundo real. Afastam-se das pessoas e ainda se acham excluídas.
Acreditam que são diferentes (ou melhores) que os outros de modo que estes não os compreendem. 
É preciso acordar para a realidade que nos cerca. É preciso viver, e viver neste mundo, não em outro. Continue gostando de futebol, "games, estudar, trabalhar, acredite em sua religião - seja qual for -, mas sobretudo saboreie o prazer de estar vivo, um prazer tão amplo que não deixa espaço para melancolia: saia, conheça lugares (mesmo que seja conhecer um pouco mais sobre o que já se conhece) e conheça pessoas (e redescubra amigos antigos), pois a felicidade está em ter um grupo de (não muitos) amigos em que se possa confiar e com quem se possa contar para sair pelo mundo em busca de diversão e aventura - e isso definitivamente não é uma metáfora.

Ass. Ciro

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