“É humano
querer o que nos é preciso, e é humano desejar o que não nos é preciso, mas é
para nós desejável. O que é doença é desejar com igual intensidade o que é
preciso e o que é desejável, e sofrer por não ser perfeito como se sofresse por
não ter pão. O mal romântico é este: é querer a lua como se houvesse maneira de
a obter.”
Fernando
Pessoa
A necessidade
deveria estar em um patamar mais elevado de que o desejo, entretanto as pessoas
estão cada vez mais igualando o desejo a uma necessidade urgente. A ideologia
capitalista vigente e a mídia vêm “inventando” necessidades para a humanidade.
A comparação que Fernando Pessoa faz quando afirma “... sofrer por não ser
perfeito como se sofresse por não ter pão” reflete a decadência em que o mundo
se encontra, pois no momento em que se compara a “necessidade” da perfeição à
do pão, é como se o primeiro, antes desejável, tornasse essencial. Assim, o que
mais importa para muitos é estar na moda, é ter um corpo dito perfeito, é
querer vender uma imagem cultuada socialmente, sem cultivar valores mais
relevantes em uma sociedade, como a solidariedade, a honestidade, o trabalho, a
dignidade, a benevolência. Enfim, atualmente, o ter sobrepõe-se em relação ao
ser, o que leva a crer que a sociedade do mundo contemporâneo está muito
doente, pois se tornou comum prevalecer o fútil em relação ao útil, de modo que
parece não haver mais lugar para o “ser” em muitas pessoas. Então como disse
Clarice Lispector “Uma vida completa pode acabar numa identificação tão
absoluta com o não-eu que não haverá mais um eu para morrer”.
Ass.: Sophia
Eçara
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