Era apenas mais um dia, um dia como outro qualquer!
Logo cedo, acordo, mas em seguida bate uma preguiça e volto a dormir, só que parece que algo fica martelando na minha cabeça: - vá estudar vagabundo... penso... sonho... penso... sonho, é como se passasse todo um futuro pela minha mente, futuro esse que eu teria que enfrentar se jogasse tudo pelo ar e fizesse apenas as coisas que queria, mas a vida não é assim, as vezes temos que fazer coisas contra a nossa vontade, para que um dia possamos ser recompensados pelo nosso esforço. A vida nos ensina isso, e nos cobra.
Pego ônibus, chego na escola, assisto as aulas e volto para casa, fazer isso diariamente cansa, e muito. Até que ouço minha mãe, em uma de suas conversas diárias comigo, dizer que na época estudantil dela, as coisas eram bastantes difíceis, que o sonho dela era ter a oportunidade que tenho hoje, para poder chegar um dia e se formar.
Sentada e com os olhos já lacrimejando, me contou:
Sentada e com os olhos já lacrimejando, me contou:
- Para poder estudar na minha época, teria que acordar bem mais cedo para poder tomar meu café (mas as vezes nem um pão duro tinha). Ia de jumento, e meus materiais eram todos improvisados, minha bolsa? Era feita com sacolas de arroz, tinha apenas um lápis para poder escrever e aí de você se perdesse ele, porque ficaria sem, e as folhas? Muitas vezes pegava do lixo. Na minha escola, tive uma professora que batia na gente se abríssemos a boca para falar. Uma vez, ao lado do meu irmão, presenciei ele ser apanhado por ela e quando vi aquela cena, mixei com medo que ela me batesse também. Nosso almoço? Era a merenda escolar, e antes, não havia repetição. Chegava da escola tinha que ajudar meus pais na colheita, mulher também trabalhava, e muito! Quando tive meus 15 anos, fui ser piniqueira na casa dos outros, e muitas vezes apanhava de pessoas que nem eram meus pais, era julgada por coisas que não fazia, apenas por ser pobre. Nunca possui um guarda-roupa, nem podia botar minhas roupas junto com as das outras pessoas, tinha que colocar em uma gaveta. Sempre estudei em escola pública e cuidava das crianças, e se acontecesse alguma coisa com elas, a culpa sobrava para mim. Hoje faço uma reflexão, e vejo que eu era a filha rejeitada da minha mãe, porque dentre todos os filhos, fui a única que ela queria dar, mas hoje não vivo sem ela e ela não vive sem mim. Quero sempre dá o melhor aos meus filhos, e saber que eles nunca vão passar por isso um dia, é lamentável, mas infelizmente, esse foi o meu passado"
Quando ela acabou de dizer isso, me bateu uma tristeza, porque por mais que reclamamos da nossa vida, o nosso mundo, hoje, é bem melhor que o mundo dela, antes. E o que ela luta para poder dar do melhor a mim, hoje, eu irei lutar para dar do melhor a ela, depois. Por isso lute pelos seus objetivos, por mais que isso canse, mas que no futuro será bem recompensador.
Ass: Lucas











